Friday, August 05, 2005

427 anos depois! Alcácer Quibir nas nossas memórias

Palácio Real, Lisboa, Junho de 1578


O Padre Luís Gonçalves da Câmara coloca no rei D.Sebastião desejos imperais.
- Acreditai, meu senhor! Aquela terra de Marrocos foi santificada pelo sangue dos mártires portugueses. Quantas vidas se perderam? Quantos homens, por amor de Cristo e glória da nossa Fé, ficaram escravos para sempre? Quantos? É preciso vingar a sua memória!

D.Sebastião reflectiu um pouco, depois disse:
- Estou resolvido a partir! Irei conquistar marrocos! E serei o Capitão de Deus, trarei glória a Portugal.


4 de Agosto de 1578.

A voz imperiosa do Rei ouviu-se: "Vamos. É tempo de agir! Quanto mais cedo começar a luta, mais breve virá a vitória!
Alguns fidalgos vieram pedir ao rei que modificasse a batalha, para que o exército fosse reabastecido.
- Esperar? Esperar! Há quantos anos espero este momento! Senhores, sou rei e nada temo! Que me sigam aqueles que acharem por bem seguir-me!


A batalha começou, duraria pouco mais de quatro horas.

Os mouros cresciam. Vinham constantemente mais guarnições.

Os soldados portugueses estavam desordenados. Era a confusão geral nas tropas lusas.

D.Jorge de Albuquerque, ferido com quatro cutiladas no peito, ainda gritou:
- Meu Rei, fuja para Arzila, é a sua última hipótese de ainda poder sobreviver e proteger o nosso reino. O vosso cavalo está incapaz de ser montado e eu estou incapaz de montar! Tomai o meu e salvai-vos!
- Fugir? Quem foge são os cobardes. Façam apenas o que eu faço...


D.João de Portugal vai ter com o rei e pergunta-lhe:
Se ficarmos aqui, morremos todos, meu senhor!
- Morrer, sim, mas devagar!





Via-se o moço rei de espada no punho a lutar bravemente, junto do duque de Viseu.
A certa altura ficaram ambos rodeados por vários mouros.

-Que nos resta fazer, meu rei? - Perguntou o duque de viseu
- Morrer - Respondeu, a uma só voz, o moço rei.
- Não haverá outra saída? - Insistiu o duque
- O céu! - Disse D.Sebastião, olhando perdidamente para o céu, como se procurasse alguma salvação ou milagre.

427 anos depois!

Tuesday, July 05, 2005

Desespero patriótico

O país desfaz-se, as bandeiras caem.

Portugal perece, o povo português vive na miséria, na ignorância.

Cada vez mais somos europeus de segunda classe, cada vez somos menos lusitanos. Perdemos o orgulho, a honra, os valores, a justiça, a coragem, a bravura, a inteligência. Apenas copiamos, imitamos e fracassamos sempre por não sermos originais, por não sermos nacionais.

Os políticos vão para o poder enriquecer e tirar dinheiro ao estado. Esqueceu-se o exemplo do grande homem que foi Salazar. Nasceu pobre, morreu pobre e serviu sempre o Estado e a Nação. Mas hoje aqueles que roubam Portugal (e que roubam o dinheiro de Salazar) estão sempre de boca aberta para criticá-lo.

Injustiças sociais, imigração, criminalidade, desemprego.


Somos reféns do constitucionalismo europeu. Somos reféns de Bruxelas que não se preocupa com os verdadeiros interesses dos portugueses.

Nada fazemos por mudar. Estamos paralisados pela miséria intelectual generalizada em toda a sociedade.

Ainda esperamos o D.Sebastião, um salvador, um messias que salve Portugal.
Mas apenas esperamos...


Pode ser que um dia venha mesmo,
Mas até lá... desespero patriótico

Monday, April 25, 2005

25 de Abril - Viva Portugal - Feriado Nacional ou Luto Nacional?!

Comemoram-se hoje 31 anos da revolução dos cravos.
E os portugueses eufóricos saem à rua com um cravo na camisa a gritar palavras de "liberdade". O Fascismo acabou, a ditadura do estado novo terminou e Portugal recomeçou um período democrático.

A questão que se impõe é se Portugal poderá encontrar o progresso e o desenvolvimento num sistema político como a democracia.
A democracia em Portugal ainda é jovem, contudo, nunca deu provas de poder responder às necessidades do país.

A democracia em Portugal começou com a monarquia constitucional. Através de medidas como o fontismo, fez de Portugal um país assaz desenvolvido para a época de então. No entanto, a nível social, existiam antagonismos sociais, em nada inferiores, aos que existiam também naquela altura em países como a Inglaterra e França. Contudo, o povo português castigou a monarquia, o rei e 800 anos de história e, através de uma revolução sangrenta e pouco consentida, implementou a república.

Passado 31 anos, Portugal desnacionalizou-se, Portugal faliu e encontra-se na penúria. Os portugueses vivem na pobreza e no obscurecimento do mundo.


Falta ainda a verdadeira revolução. A revolução nacional! Marchar pela causa nacional! Viva Portugal!

Se antes éramos um país nacionalista, agora somos um país desnacionalizado.
Se antes, através de instituições e de organizações, como a mocidade portuguesa, éramos um Portugal de valores tradicionais e de ordem, agora as nossas crianças são facilmente corrompidas pelas drogas, por vícios e por deformações estrangeiras.
Se antes, os cofres de estado estavam cheios, agora o dinheiro de Salazar está a ser gasto para pagar as dívidas nacionais.


A democracia trouxe, sem dúvidas, alguns benefícios de Portugal. Mas esta democracia a que assistimos hoje não traz a salvação a Portugal. A salvação deve partir do nosso questionamento sobre a democracia e as instituições democráticas.


Possa Portugal encontrar o seu rumo numa democracia mais democrática, que não esqueça o ideal nacionalista!
Viva Portugal!


Quando se fala em Salazar, abrem-se logo bocas para criticar a sua pessoa e a sua obra. Mas Salazar já morreu... Possa haver também coragem para criticar a nossa democracia actual!

Sunday, April 10, 2005

Nacionalismo para Portugal!

Portugal está desbaratado, o país encontra-se pelas ruas da amargura, a pobreza e a miséria alastram impiedosamente; a criminalidade, a violência e o desemprego aumentam; a inflação não pára; o analfabetismo não acaba e, no meio deste horrível cenário, os portugueses continuam, sistematicamente, a votar e a apoiar uma democracia e partidos, quer de esquerda quer de direita, que nunca defenderam e valorizaram a Nação Portuguesa. Já ninguém faz nada em Portugal, os nossos políticos limitam-se a entrar num jogo de lóbis e influências, em vez de defenderem os portugueses. A democracia em Portugal tornou-se uma palhaçada, um autêntico circo. E nós próprios nos tornámos uns palhaços. As nossas instituições democráticas demonstram-se ineficazes para resolverem os problemas nacionais. A nossa economia está arruinada, importamos cada vez mais, endividamo-nos e a indústria nacional estagna.
O Estado deve assentar na defesa dos portugueses e na primazia do interesse nacional. Contudo, hoje em dia, em Portugal, os interesses dos portugueses não são atendidos e deparamo-nos com a destruição da nobre Nação Portuguesa e da sua Alma Pátria. Cada dia que passa, Portugal torna-se menos português. Em cada momento, perdemos a nossa identidade e a nossa dimensão cultural. A Europa, por sua vez, cada vez mais, é uma colónia americana.
É preciso fazer frente a este sistema global que destrói a identidade europeia e a identidade de todos os povos europeus. O mundo, dizem os filósofos, é condicionado pela acção humana. É a própria acção humana que potencializa a realidade humana. A vontade de poder, dizia Nietzsche, é a legisladora universal. Só é possível mudar Portugal com um movimento unido, patriótico e nacional. Porque se não forem os portugueses a mudarem Portugal, quem o fará? Mudar Portugal!
Portugal perdeu, acima de tudo, o amor dos portugueses. Bons tempos em que os portugueses morriam por Portugal, porque o orgulho, a honra, a justiça e o dever estavam acima do indivíduo. Hodiernamente, nem honra, nem justiça, nem orgulho, nem dever. O amor, dizem os poetas, é o fundamento da vida humana. É o amor que nos leva a agir para além de nós próprios. Neste quadro pessimista, só com amor conseguiremos mudar e renovar Portugal. De um amor infinito a Portugal, ressurgirá um Portugal melhor e mais português. Mudar Portugal com amor!
Portugal vive hoje a sua hora mais triste, o seu momento mais angustioso. Esta angústia advém da perda da nossa identidade. Esta tristeza infinita provém da perda de união entre o povo português. E procuramos, em vão, alguma alegria no futebol aos Domingos no café. Em vão, tentamos esquecer a nossa dor e a nossa vil tristeza. Vivemos ainda demasiado do passado: dormimos ainda sobre o túmulo do falecido rei D. Sebastião; relemos infinitamente as velhas estrofes de Os Lusíadas e abraçamos os poemas nacionalistas da Mensagem de Pessoa.
É preciso para Portugal uma nova força, uma nova energia, um novo movimento, capaz de abalar o tédio, a monotonia, o cansaço, o desânimo e a descrença dos portugueses. É preciso uma nova luz, um novo ideal, é preciso a chama nacionalista! Num país em que os políticos vendem Portugal ao estrangeiro, em que os políticos não representam as cores da bandeira nacional, é necessário um novo líder. Um líder que esteja acima da guerra parlamentar a que assistimos todos os dias, que esteja acima das lutas partidárias, que enfraquecem e aniquilam o sistema democrático vigente.
Combate-se a guerra, com a paz. Combate-se o fogo com a água. A perda de identidade europeia, a perda da soberania nacional e a desnacionalização de Portugal combate-se com o nacionalismo. Possa o nacionalismo renovador transformar Portugal num país civilizado, evoluído, mas que não perca a sua raiz histórica, nem as origens da sua Raça! Pretendemos um Portugal moderno e evoluído, mas com consciência histórica e racial. Só os portugueses podem construir esse Portugal de maresia. Os portugueses nascem com esse direito, e devem morrer com esse dever.
Hoje, mais do que nunca, é preciso a chama nacionalista em Portugal!



Hoje mais do que nunca, um Portugal Nacionalista! Um Portugal com consciência histórica!





Um Portugal nacionalista é um Portugal mais português



Português, luta pelos teus direitos!



Um Portugal com valores! Um Portugal de gerações! Uma juventude nacional e patriótica!


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imagens retiradas de:
http://www.portugalsempre.com
http://www.partidonacional.org

Friday, April 01, 2005

O blog não esquece o Santo Condestável

Foi nesta data, dia 1 de Abril, que faleceu o nobre e intrépido Nuno Álvares Pereira no ano de 1431.

É de aproveitar, pois, que se relembre um pouco da história da personagem, dos seus feitos, e, acima de tudo, da sua lição de vida!

N.A.P nasceu no dia 24 de Julho de 1360 no seio de uma pequena família fidalga e foi educado como um verdadeiro cavaleiro. Logo aos 13 anos entrou para a corte de S.A.R D.Fernando, sendo escolhido para escudeiro de D.Leonor Teles. Desde logo se notaram as suas qualidades: um intenso fervor patriótico e um génio militar. Casou-se aos 16 anos por imposição do pai com D.leonor de Alvim, de quem teve 3 filhos.
Com a morte de D.Fernando, a independência de Portugal esteve em risco e é nesse período que N.A.P vai empenhar um papel decisivo.

Durante o período da regeneração esteve sempre ao lado de D.João I. A sua primeira vitória militar foi na batalha de atoleiros em 1384. Em 1385 D.João I é aclamado Rei de Portugal e Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino.

A luta contra Castela e os traidores de Portugal continua.

Em 14 de Agosto de 1385 dá-se a batalha decisiva: Batalha de Aljubarrota. A desigualdade dos dois exércitos era por demais evidente. Do lado de Castela haveria cerca de 5000 lanças (cavalaria pesada), 2000 ginetes (cavalaria ligeira), 8000 besteiros e l5 000 peões; do lado português seriam cerca de 1700 lanças, 800 besteiros, 300 archeiros ingleses e 4000 peões. O Condestável vira-se para os soldados portugueses, que assustados o ouvem: "Confiem em mim, pelos nosso avós, pela nossa Nação, pelo nosso Rei D.João e pelos nossos filhos, temos de defender a nossa terra. Se for preciso pagar este heroísmo com a vida, tal acontecerá, se esse for o nosso destino!". Os soldados acreditam cegamente no seu líder. D.Nuno Álvares Pereira reflecte e elabora o seu plano, uma estratégia de guerra que tinha aprendido com os ingleses: a tática do quadrado. Depois escolheu o melhor local para o embate.
Os castelhanos, apesar de em maior número, quando avistam o exército português, apercebem-se da posição vantajosa dos portugueses no terreno e tentam evitar o confronto, contornando-os e, seguindo por um caminho secundário, indo concentrar-se em Calvaria. O exército português inverte a posição e desloca-se paralelamente, acompanhando os castelhanos, vindo a ocupar uma posição 3 km a sul da anterior, ficando os dois exércitos a cerca de 350 m de distância. Para proteger a frente os portugueses cavaram rapidamente fossos e covas de lobo, que tentaram disfarçar. O exército português estava disposto numa espécie de quadrado, formando a vanguarda e as alas um só corpo. A vanguarda era comandada pelo Condestável e nela estavam cerca de 600 lanças; na retaguarda, comandada por D. João I, estavam cerca de 700 lanças, besteiros e 2000 peões. Os restantes efectivos estavam nas alas.A ala esquerda era a célebre ala dos namorados, que enfrentou bravamente os castelhanos, e a ala direita era conhecida por ala da madressilva, que, enquanto a primeira lutava, fazia chover flechas sobre o exército inimigo.
A vanguarda castelhana teria 50 bombardas e 1500 lanças, em 4 filas, e ocupava toda a largura do planalto, nas alas teria outras tantas lanças, besteiros e peões, além de ginetes na ala direita e cavaleiros franceses na ala esquerda. Os castelhanos reconhecem a dificuldade de atacar a posição portuguesa, surgindo dúvidas quanto à decisão de atacar ou não.
Estavam neste impasse quando, já ao fim do dia, a vanguarda castelhana inicia o ataque. Dados os obstáculos que encontraram, foram-se concentrando ao meio, mas com uma profundidade de 60 a 70 metros, pelo que o embate se dá com a parte central da vanguarda portuguesa. Dado o seu número, os castelhanos conseguem romper a vanguarda portuguesa, mas logo foram atacados de flanco, pelas pontas da vanguarda, pelas alas e também pela retaguarda portuguesa. Assim, face à estratégia e posição portuguesas, a vanguarda castelhana sofreu todo o impacto da força do exército português, sendo desbaratada. Por isso, apesar do maior número total das forças espanholas no combate, a vanguarda castelhana suportou sozinha toda a acção do exército português, sendo esmagada. Os restantes fugiram, em pânico, sendo ainda perseguidos. Tudo isto aconteceu em cerca de uma hora. O rei de Castela fugiu, de noite, para Santarém e daí embarcou para Sevilha.

A Batalha de Aljubarrota foi um momento alto e importante na luta com Castela, pois desmoralizou o inimigo e aqueles que o apoiavam, e praticamente assegurou a continuidade da independência nacional.


Em outubro de 1385, em Valverde alcança nova vitória sobre os castelhanos.
Em 1411, Castela reconhece a independência de Portugal.

Nuno Álvares Pereira tornou-se rico e poderoso, mas soube dividir, com os seus companheiros de armas, grande parte das terras que lhe foram doadas. No fim da vida, teve o cuidado de repartir também pelos netos os seus domínios e títulos.

N.A.P ainda participou na conquista de Ceuta em 1415. Nunca perdeu uma batalha que fosse liderada por si. Conta-se que a sua espada, que tinha o nome de Maria gravado, lhe dava a devida protecção.

Depois de se tornar viúvo (1388) entrou para o Mosteiro do Carmo em 1423, por ele fundado, mudando o nome para frade Nuno de Santa Maria. Nos últimos anos da sua vida ajudou os pobres e os mais necessitados e o povo começou a chamá-lo Santo Condestável.
Foi beatificado pela igreja em 23 de Janeiro de 1918.


Para a história, fica o seu patriotismo, o seu sacrifício e a sua espiritualidade. O condestável é um exemplo para todos nós, pois, N.A.P compreendeu que tinha chegado a hora de servir a sua Pátria, tal como um dia o tinham feito os seus avós, e fê-lo, mesmo arriscando a sua vida e a vida dos seus soldados. Foi humilde e despiu-se de todas as riquezas materiais, entrando para o mosteiro, para estar mais perto de Deus.
A ele, por certo, devemos-lhe as vitórias militares, que permitiram a independência de Portugal!

É escutando estes ventos históricos, estas almas patrióticas, esta valentia lusíada, que podemos recuperar o nosso génio lusíada... Devemos, tal como fez heroicamente N.A.P, sacrificarmo-nos a nós próprios, para melhorarmos a nossa terra, mesmo que sejamos menos, poucos, mesmo contra todas as vicissitudes e adversidade, devemos lembrarmo-nos que somos portugueses. E se não formos nós a salvar Portugal, ninguém o fará.







Obrigado, Nuno Álvares Pereira! (1360-1431)

Tuesday, March 29, 2005

Poemas e algumas frases de Pascoaes (1)

Aqui ficam alguns poemas e pensamentos do poeta nacionalista, Teixeira de Pascoaes.
Teixeira de Pascoaes, escritor de Amarante, criou nos seus poemas o Portugal que imaginava, um Portugal que nem pertencia ao passado nem ao futuro, e que parecia ser intangível. A sua dor patriótica e nacionalista conduziu-o à filosofia da saudade e ao desespero lírico próprios dos poetas que, tal como ele, pertenceram a uma Europa nas ruas sufocantes do niilismo.


Tenho, às vezes, saudades do futuro
Como se ele já fora decorrido...
Um sentimento escuro
De quem, antes da vida, houvesse já vivido.

...

Porque aos olhos do Espírito, uma ervinha,
E um grande roble são da mesma altura...
Que distância a dum astro a uma andorinha?
Dum ramo em flor a um nobre pensamento?
Da noite ao dia? Do sorriso à lágrima?
De uma pedrinha nua a um sentimento
Despido, como a sombra e como a luz?

...

A máscara

Esta luz animada e desprendida
Duma longínqua estrela misteriosa
Que, vindo reflectir-se em nosso rosto,
Acende nele estranha claridade;
Esta lâmpada oculta, em nossa máscara
Tornada transparente e radiante
De alegria, de dor ou desespero
E de outros sentimentos emanados
Do coração dum anjo ou dum demónio;
Este retrato ideal e verdadeiro,
Composto de alma e corpo e de que somos
A trágica moldura, errando à sorte,
E ela, é ela, a nossa aparição,
Feita de estrelas, sombras, ventanias
E séculos sem fim, surgindo, enfim,
Cá fora, sobre a Terra, à luz do Sol


...

Ó natureza, qualquer coisa existe
De íntimo entre o meu peito e a tua essência!
Se medito, se canto, se estou triste,
Eu sinto, dentro de mim, tua existência.

...


"Creio no destino messiânico da minha Raça, como tal creio na Saudade"
" A Pátria deve construir, educar e criar portugueses num duplo ideal humano e patriótico"
"Se o português, como indíviduo, herda as qualidades de família, herda igualmente as da sua Raça, porque o homem não cabe dentro dos limites individuais. O português participa também da herança étnica e histórica, adquirindo assim uma segunda vida, que por mais vasta, abrange e domina a existência do indivíduo"
" E Portugal é uma Raça constituindo uma Patria, porque, adquirindo uma Língua própria, uma História, uma Arte, uma Literatura, também adquiriu a sua independência política"
"Temos de considerar a nossa Pátria como um ser espiritual, a quem devemos sacrificar a nossa vida animal e transitória"
"A lei suprema da vida é, portanto, a lei do sacrifício das formas inferiores às superiores"
"Nuno Álvares, por exemplo, morreu como um homem, para viver como Portugal"
"Família, Pátria , Humanidade representam seres espirituais cada vez mais complexos que findam no supremo ser espiritual: Deus."
"Portugal foi livre, enquanto foi português nas suas obras; enquanto soube realizá-las, obedecendo apenas à sua Vontade vitoriosa"
"O republicano é ateu porque pensa que Deus anda feito com os monárquicos"
"Somos hoje um corpo morto e uma alma fingida, o reflexo frio duma alma que ainda voa nas estrofes d'Os Lusíadas e sobre o túmulo ignoto do Encoberto"
«O poeta é o escultor espiritual de uma Pátria, o revelador-criador do seu carácter em mármore eterno de harmonia.»

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Saturday, March 26, 2005

O infante (em Mensagem)

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!



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A bandeira

Seremos ainda suficientemente dignos para usar esta bandeira?



Portugal Sempre


D.Sebastião

E para quando virá o novo el-rei D.Sebastião?

O Mito Sebástico

É sabido o trágico destino de el-rei D.Sebastião no dia 4 de Agosto de 1578. É também por demais conhecido a perda da independência nacional associada ao declínio do moço rei.

Poder-se-á, quem sabe, pensar que a batalha de Alcácer Quibir (ou batalha dos três reis) não tem uma relação com o presente, nem se poderá fazer qualquer tipo de analogia, pois o passado é passado e há que construir o futuro.

Contudo, naquela manhã do dia 4 de Agosto, Portugal viria a perder o seu querido jovem rei que representava todo o vitalismo e energia de uma nação já em declínio imperial. Perdemos o Rei e perdemos a nossa independência.
Em 1580 fomos definitivamente ocupados pelos espanhóis. Os 60 anos que se seguiram foram marcados pela angústia, pela dor, pela pobreza, pela tristeza nacional... Até que apenas um punhado de homens, liderados pelo duque de Bragança, repõe um rei português a comandar os destinos da Nação Portuguesa.

Nos dias de hoje, já não temos monarquia, mas a Nação Portuguesa ainda existe, independentemente do sistema político vigente.
Somos independentes, sem sombra de dúvida. Mas já há uns longos anos que perdemos outro atributo de igual ou superior valor: a nossa soberania.
Perdemos a nossa soberania e simultaneamente não somos donos do nosso próprio destino. O país encontra-se dominado pelo tédio e pela monotonia. Os políticos são corruptos. O povo é ignorante, os jovens são mal instruídos, a pobreza aumenta, a população envelhece, a criminalidade e o desemprego alastram. E ninguém faz nada. Todos esperam, como se algo alcançassem de tanto esperar.

Esta espera demorada, este cansaço tardio é a nossa síndrome. Esta fé exagerada no messias, esta fé doentia do passado, esta saudade do futuro é a nossa doença. Esta doença só tem uma cura: A própria refutação do mito sebástico enquanto designação de espera e latência em vez de luta e acção.

No entanto, o mito sebástico sempre foi o suporte da nossa poesia (Fernando Pessoa, entre outros), da nossa filosofia (Teixeira de Pascoaes, por exemplo), da nossa arte e da nossa literatura (José Régio)

O Mito Sebástico é um assunto muito vasto. O mito sebástico é o homem aberto a si mesmo, o homem esquecido de si mesmo que procura o seu horizonte, o seu ideal, o seu ‘ego' no meio do deserto, da imensidão do deserto, longe de tudo o que lhe é familiar, envolto em miragens, a lutar pelo futuro, por tudo o que é seu... Com um mito destes, mito filosófico, envolto na saudade e esperança, o futuro não nos reservará um horizonte celestial? Ou uns triunfos ufanos? D. Sebastião personifica pois o homem existencialista, o Dasein de Heidegger, o homem do nevoeiro, que se quer encontrar a ele mesmo, que procura a sua identidade perdida tendo em vista a modelação do seu próprio ego.

Esse D.Sebastião, o intrépido lutador, que procura algo no meio da sua loucura e contra todas as adversidade, contra a sua própria doença somos cada um de nós... que procura no seu deserto, encontrar uma paz e engrandecer a nossa nação, construindo o destino da mesma...

Os valores que subjugam o Ser Português

Que valores subjugam o povo português de hoje? A globalização, o capitalismo, o esquecimento do ser, a ruína do próprio homem. Perdemos África, o Brasil, o Rei, o Quinto Império, a Cultura Lusa, a Raça Lusa, o Povo Português (Herói de Os Lusíadas), Portugal perdeu Portugal, que traição, culpa de quem? Quem traiu Portugal, o sangue de D. Afonso Henriques, os sonhos de todos os marinheiros, as lutas de todos os soldados, os suspiros de todos os jovens? Os socialistas anarquistas que derrubaram a monarquia histórica, eternamente ancestral? Os pseudo-democratas de hoje que esqueceram há muito o conceito de nação ou de povo? Hoje ainda existiremos como nação? Não seremos hoje uma sombra ou uma cinza, uma chama apagada? («Portugal, hoje és nevoeiro!», Fernando Pessoa).
Mas toda a sombra que já foi corpo, toda a cinza que já foi chama, pode voltar a ser o que realmente era, não hoje, mas para sempre porque a saudade também é esperança e a esperança é o futuro. Sim, porque virá o tempo em que o V império deixará de ser mito, passará a ser realidade, a Raça Lusitana virá ao de cima, a nossa cultura renascerá, seremos de novo um império, unidos pela alma e pelo sangue. Oh, isto não é de maneira nenhuma um mito, é o futuro do passado, e, tal como Fernando Pessoa disse: «A nossa grande Raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas daquilo que os sonhos são feitos». «Tenho saudades do futuro». Em breve, deixaremos de ser um povo de heróis adiados (cf. Pessoa), a nossa pátria, os nossos valores e cultura existem dentro de cada indivíduo português, mas para isso os indivíduos portugueses têm de existir.
Por estas razões todas, como alternativa à crise cultural e até económica de hoje, considero que o nacionalismo é um valor. «Tudo pela humanidade, nada contra a nação», Fernando Pessoa. «Prepara-se em Portugal uma renascença extraordinária, tenhamos fé, tornemos essa crença, afinal, lógica, num futuro mais glorioso que a imaginação o ousa conceber, a nossa alma e o nosso corpo, o quotidiano e o eterno de nós. Dia e noite, em pensamento e acção, em sonho e vida, esteja connosco uma eterna e divina vontade, para que nenhuma das nossas almas falte à sua missão de hoje, de criar o Supra-Portugal de amanhã.»

Tornámo-nos europeus, sem a europa se tornar portuguesa. E esta é a traição fundamental à Nação Portuguesa

Indubitavelmente, hoje não somos nada. Portugal é apenas uma colónia europeia. A europa, por si só, é uma colónia americana. E essa metrópole não é mais que um punhado de homens capitalistas entretidos a elaborarem maquiavelicamente o seu sistema político-económico neo-liberalista que torna o homem numa máquina, indiferente ao seu passado e à sua origem e, pior que tudo, indiferente em relação ao seu próprio futuro.
Esse sistema capitalista, este mundo de hoje, em que predomina a globalização, o utilitarismo e a tecnologia acessível é o principal inimigo ao desenvolvimento da história. Esse desenvolvimento, como compreenderam muito bem filósofos com Hegel e Herder, efectua-se ao nível das Nações. As Nações europeias, que são as mais antigas, em breve poderão desaparecer e nesse instante os europeus serão apenas umas máquinas, que não recordarão o seu passado nem se lembrarão da sua cultura. E a dimensão cultural do homem é a chave da sua existência.

O projecto nacionalista é um projecto patriótico. Esse projecto tem por base um conjunto de valores e de uma ética própria. É preciso revitalizar Portugal e isso só se consegue com Amor.

Amor a Portugal! Hoje, mais do que nunca!

O Ser Português e uma reflexão inicial sobre o Império Português

O Ser Português é marcado pela anacronia. O Ser Português é saudade, é sentir a perda e sonhar com o Império, com o V Império. Perdemos o nosso império material em 1578 com a morte do nosso desejado líder. Perdemos mais tarde o Brasil (1822) e ainda as restantes colónias. O império se desfez. Ficou o mito. Perdemos o Império material, Deus quis que o Império Espiritual se mantivesse, porque o Espírito nunca morre, está para além da existência temporal.
Portugal surge hoje como uma república desnacionalizada, como um povo fantasma, como uma sombra daquilo que já foi. Mas é a sombra de uma grande luz, da luz do Império. O império que ainda existe, mas que precisa de um Imperador. Portugal é uma Pátria e uma Raça. A união da Raça portuguesa e da Pária portuguesa dá origem à Alma Pátria. A Alma Pátria faz parte do Espírito, o Ser também se encontra esquecido, porque hoje é o dia das massas e dos medíocres. Hoje é o tempo da democracia, dos estados, das multidões. Virá de novo, ressurgido, o tempo do totalitarismo, do nacionalismo e dos impérios, porque esse é o caminho de Portugal. Portugal é um povo de poetas, de paixões. Portugal é um país de maresia, de sonhos inacabados, de heróis adiados. Portugal não é um país de filósofos, de pensadores democráticos nem de comunistas. Os nossos péssimos políticos de esquerda tentaram copiar os grandes filósofos ingleses e franceses e construíram, em vão, sucessivas repúblicas em Portugal. Todas fracassaram porque copiaram e não foram originais. Portugal não é um país organicamente democrático, é um país organicamente imperial, como disse um dia Fernando Pessoa.
E o Império espiritualmente ainda existe, mas precisa de um Imperador! O Império precisa de uma chama viva, de um líder, de um Super-Homem, isto é, um homem consciente e livre para poder reinar. E quando chegar esse momento, quando o Rei voltar, Portugal tem de estar preparado para recebê-lo.
Portugal, a nação e raça ainda existem espiritualmente, mas é preciso um líder. Portugal teve poucos homens que fizeram história politicamente, como líderes políticos: D.João II, Marquês de Pombal, Fontes Pereira de Melo e Salazar. Estes foram os grandes visionários políticos portugueses. Os primeiros reis construíram o império com sangue, os reis seguintes aumentaram o império com lágrimas salgadas, e o império desfez-se precisamente com o Desejado. Parece uma ironia, mas aquele que ficou para a história como o desejado, foi o último rei Imperial. A batalha de Alcácer Quibir foi uma batalha inteiramente Espiritual, foi o último grito da Raça Portuguesa em termos bélicos. Foi a última batalha, inutilmente perdida. O último rei bélico e orgulhoso da sua raça foi D.Sebastião. Na dinastia Brigantina, os últimos reis tentaram desenvolver o país, esqueceram-se do império. A dinastia acaba em sangue, também inutilmente derramado, pelo rei D.Carlos. A I república foi uma república material e sangrenta, não foi obra do Espírito nem de Deus. Salazar tentou conciliar o país novamente com o Império. Salazar criou um sistema de valores, não importou nenhuma política externa. O Estado Novo é um sistema político inteiramente português e nacional. No entanto a tríade “Deus, Pátria, família” deixou de ter sentido quando se deu o “Esquecimento do Ser” e quando se deu o niilismo (que já se tinha manifestado na Europa desde a primeira década do século XX). Assim, também Salazar sucumbiu, e Portugal ficou eternamente adiado.
Portugal espera por um líder perfeito, o único que pode dinamizar e recriar o império. Porque as verdadeiras raças precisam de Império, só os povos se contentam com países. E Portugal é uma Raça, das mais nobres e das mais antigas do mundo, uma raça de ordem e autoritária (por descender dos romanos), bélica (por ter sangue dos bárbaros, nomeadamente dos visigodos e dos suevos), latina (porque se deu a fusão entre os celtas e os iberos – celtiberos) e cristã (por ter combatido os árabes, a ameaça islâmica e os judeus em nome de Cristo e de Deus).

“Hoje somos uma triste e funesta sombra do V Império. Somos um corpo morto e uma alma fingida, o reflexo de uma alma que ainda voa nas estrofes d’Os Lusíadas e sobre túmulo ignoto do Encoberto.” Teixeira de Pascoaes